domingo, 12 de outubro de 2014

E não comi o bode do Everaldo...

Olhando pela janela do avião no vôo de volta Recife/São Paulo, sobrevoando o litoral deslumbrante de Pernambuco, meu pensamento voa a um passado já distante quando vim nessa cidade pela primeira vez, na década de 60, como integrante da orquestra de Ed Maciel, famosa na época, tocar num baile em um clube tradicional , que se não me falha a memória, chama-se ou chamava-se Clube Internacional.
   Depois, voltei aqui umas poucas vezes como pianista do Moacyr Franco e do Jorge Ben(jor).
   Anos mais tarde, já como maestro do Roberto, tive uma tarde inesquecível a beira da piscina de um hotel em Recife ao lado de um gênio, que não era daqui mas estava aqui, Chico Anísio , do qual me tornei próximo através de um amigo comum, Robson Paraiso, pernambucano, empresário do RC na época. O Robson tinha sido por muitos anos também  empresário do Chico Anísio. Lembro bem que naquelas horas a beira da piscina, tomei lições de vida que só havia tido com o meu pai.
   Eu só queria ouvir o Chico...eu dizia : "fala mais Chico, fala mais". Entre gargalhadas e lágrimas, por um bom tempo, tive o privilégio da atenção de um sábio, um iluminado, um gênio. Todos os sábios são humildes e claro que nem todos os humildes são sábios. Naquele dia eu era o único aluno na sala de aula do Professor Raimundo.
  Eu adorava ir a todos os shows dele.
  Mudando de assunto, acho que depois de São Paulo e Rio de Janeiro, Recife é a cidade onde mais fiz shows, seja com o Roberto ou os meus próprios. O de ontem foi muito agradável. Um show que seria na beira da piscina do hotel Recife Monte, por causa de uma chuva fina, acabou sendo transferido para um salão de festas do mesmo hotel, o que proporcionou um ambiente agradável e aconchegante onde pessoas elegantes de todas as idades me acolheram carinhosamente.
    Ao final do show, após tirar umas 50 fotos, me sentindo poderoso mas doido pra ir no banheiro fazer xixi, uma senhora se aproximou de mim e disse: "maestro, o sr. me deixou muito feliz porque eu achava que os sulistas (palavra usada por ela) não gostavam de nós, aqui de Recife e hoje vi que não é bem assim"
   A vontade de ir no banheiro urgentemente me impediu de respondê-la.
   Como não gostar dessa cidade ou estado onde o próprio Roberto Carlos um dia escolheu pra ser o local em que voltaria a cantar depois do falecimento da Maria Rita pois sabia que aqui teria o colo pra retomar a sua carreira artística depois de tantos meses recolhido na sua dor.
   Como não gostar de uma cidade onde passaram ou passam Reginaldos , Everaldos , Alceus, Chicos e tantos outros que  representam o que há de melhor na cultura e política do Brasil...
   Ah, e o meu amigo Everaldo foi ao show, acompanhado de uma namorada tão bonita quanto a beleza do caráter e amizade desse cara fantástico.
   Senti falta das "Vera Lucias de Recife" e dos "amigos hospitaleiros" que estavam em Porto de Galinhas e diziam que me veriam no show de Recife. Se estiveram no show, bem poderiam ter me procurado.
   Eu gosto muito de Recife, sei como é bom caminhar na areia da Boa Viagem e ficar sentado numa cadeira apreciando a aquele mar deslumbrante
    E dessa vez não consegui comer o  "bode do Everaldo" hahahaha....
  Grande Everaldão!!!

  Abraço a todos

  Eduardo