sábado, 26 de junho de 2010

OS "ROBERTETES" EM PORTO ALEGRE


Foto tirada no dia da nossa chegada ao Brasil após a temporada internacional

Eduardo

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ao amigo Armindo

Minha vaidade não resistiu ao texto do Armindo, um cara que nasceu e vive num país que amo, Portugal, terra da minha família por parte de pai. Caras como esse me fazem tentar ser cada vez mais uma pessoa melhor. Claro que muitos de voces já devem ter lido o que ele escreveu no seu blog mas só tomei conhecimento hoje.
Meu pai, avós e tios, devem estar exultantes lá pelos céus de Castelo Branco.
Armindo, muito obrigado, voce me emocionou(mais uma vez)
Eduardo


TEXTO

É de se refletir realmente na postura do maestro Eduardo Lages, na vida do Rei Roberto Carlos, durante todos esses, não trinta meses, mas auspiciosos trinta anos de majestosa reciprocidade, haja visto que ele é de fundamental importância na vida do Rei Roberto.

Não sendo possível um Rei da música sem um maestro, o mesmo é como uma mola mestra; isto é, o elo entre sua orquestra e o Rei, numa responsabilidade ímpar, qual seja, a de não só fazer os arranjos, como também a de ser o regente de uma das maiores orquestras do Brasil – a Banda RC9.

Talentoso, por excelência, o Maestro Eduardo Lages conciliou com profissionalismo o seu trabalho com o Rei. Como músico pianista, deu início ao seu trabalho instrumental com o lançamento de vários CDs, como Emoções, Cenário, Por Amor, Inesquecível, e, no ano passado, o Nossas Canções. Todos gravados com bastante competência, motivo pelo qual, tem alcançado maravilhoso sucesso. Homem simples, amigo, carismático, atencioso, não demonstra o grande artista que é, mesmo quando está conversando com seus fãs, conquistando com tudo isso maior valorização e o reconhecimento pelo público em geral. O cd Inesquecível e o Nossas Canções, tiveram a participação dos seus fãs-amigos, os quais ajudaram-no nas escolhas das músicas.

A música reflete este tipo de coisas, qual seja, se há afinidade entre músicos, a aproximação daqueles que comungam os mesmos propósitos, que seriam o de levar ao público a boa música popular brasileira, será tendenciosamente eterna.

Integro em sua personalidade e marcante na sintonia com o Rei, ocupa hoje um meritoso local de destaque ao lado de sua majestade. O Rei, por sua vez, recíproco a esta afinidade, não só técnica, mas sobretudo aquela que transcende o inexplicável, o convida, naquela época, a integrar-se em seu projeto musical e, nos domínios da amizade, formaram a dupla inseparável.

É extraordinariamente belo a chegada do Rei ao palco para fazer o seu show. Cumprimenta o seu publico e posteriormente – reparem todos da próxima vez – cumprimenta o mestre e grandioso maestro. Este, por sua vez, como que acolhido pela simpatia do seu Rei, dá aquela tradicional olhada carinhosa pra ele e, penso eu que, com o coração diz em pensamento: “ Pode cantar meu caro amigo! Estamos todos à sua disposição.” Numa sintonia perfeita, qual a que com sua batuta, olha aos músicos da orquestra e com o mesmo olhar e pensamento diz: “ Pessoal, toquem! Toquem à vontade, pois o nosso Rei já está em cena”. E todos tocam com um imenso prazer. Mais ainda, orgulhosos porque estão tocando para aquele que eles também têm toda uma afinidade e carinho de exemplares súditos. Tocam eles para o maior cantor popular de todos os tempos.

Este trabalho grandioso, engrandecedor, que se expressa de dentro para fora, com respeito, carinho e muito amor.

Assim como a música combina em sua arte, os sons, que conservam entre si sua relações de harmonia, também a amizade do Maestro com o Rei, configurou-se nesta mesma proporção, ao longo desses anos. Ela, que está na natureza representado pelo canto dos pássaros, pelo barulho do vento e das ondas do mar, sempre existiu e sempre existirá. E, igualmente, percebemos, em suas integridades de Rei do Maestro e Maestro do Rei, que esta amizade também perdurará por muitas, muitas eternidades afora.

Lembrar que uma eternidade é igual a um infinito tempo infinitamente igual à uma infinita distancia que a luz percorre em um tempo infinito, num espaço infinito. Nossa que confusão! É uma amizade grande por demais, uf!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Simplicidade de um Rei


Amigos, transcrevo pra voces, a sinopse elaborada pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis,apresentada hoje numa reunião da qual participei. Essa sinopse será enviada a imprensa e aos compositores de samba enredo que participarão do concurso para a escolha do samba da escola.
Abraço a todos do maestro aqui já todo enrolado com tanto trabalho a fazer;
Terminar DVD "Emoções Sertanejas" , meu CD , CD em espanhol do RC, shows e ainda tendo que torcer para uma seleção sem Ronaldinho Gaucho, Neymar e Ganso. Brasileiro e flamenguista sofre.....ainda bem que Ronaldinho vem aí...pro mengão.

Eduardo


BEIJA – FLOR DE NILÓPOLIS

Me leva meu sonho em viagem, por uma estrada colorida, onde o tempo pede passagem e carrega, em sua bagagem, as lembranças que eu trago da vida.
E lá vou eu, bem longe, além do horizonte, vivendo esse momento lindo, a reconstruir meu castelo de sonhos entre emoções, como quem chora sorrindo.
Olha dentro dos meus olhos e vê quanta lembrança que na distância do tempo guardei. Ah! Como o tempo passa, é como se o trem que me trouxe, voltasse e dissipasse a fumaça, e eu então retornasse pras coisas que eu deixei.
Meu pequeno Cachoeiro, essas terras entre as serras, doce terra onde eu nasci, te confesso, você é a saudade que eu gosto de ter, e que mora pra sempre em mim; é como sentir você bem perto, é como estar desperto pra ver tudo igual como era antes, que nada se modificou, e ouvir de novo as águas cantantes do meu Itapemirim.
E é assim que o pensamento voa, vagueia assim, à toa, e até parece que eu voltei... Voltei a ser criança, a ser “Zunga” outra vez. Ah! Sentimento bem vindo... Vejo o meu cachorro me sorrir latindo, estou em frente ao portão, eu voltei, pra viver o sonho mais bonito que um dia alguém já sonhou, e sentir que o sol que atravessa essa estrada jamais se apagou.
Me vejo menino, correndo aos braços de minha mãe, pro seu abraço, e no carinho e afago, me envolver num laço, e adormecer, como sempre eu fazia. Olhar meu pai, e seus cabelos brancos, seu rosto marcado, a disfarçar o cansaço com um sorriso franco das verdades da vida e ouvir as suas histórias, lições que me fizeram crescer e, do jeito simples a esconder as dificuldades, tentando encher minha vida de fantasia ao enfeitar as coisas que eu via.
Ah! Quem dera... Poder fazer desse tempo, uma eterna primavera, desabrochar em flor pra sempre, o flamboyant no meu quintal, e deitar à sua sombra, e sentir aquela brisa mansa, que sopra enquanto lança o perfume do laranjal.
Vai e vem na minha mente, esse vento do tempo, e traz as ondas do rádio que um dia me embalaram ao som de tangos e boleros, velhos tempos... Belos dias...Onde o meu sonho crescia nas cordas de um violão. Hoje relembro e refaço aquela despedida, nas lágrimas soltas na estação, a partir na promessa de uma volta, como todos que um dia se vão e assim, na lembrança, colar os cacos do meu coração, me redimir e repartir essa dor e a saudade, nos versos de uma canção.
Assim, como naquele dia, eu me vejo, com aqueles olhos tristes, porém cheios de esperança, buscando encontrar a sorte, todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim, e me deixo levar em ritmo de aventura, nas batidas do meu coração, igual a quando aqui cheguei, nesse Rio de Janeiro, no seu abraço aberto, hospitaleiro, na transviada inquietude daquela louca juventude, que andava na contra-mão.
Até parece que foi ontem... Aquelas tardes de domingo, de guitarras eletrizantes, que ecoavam como o ronco barulhento dos carangos, incendiando a multidão; era um ritmo alucinante e quente, o rock’n roll envolvente, uma brasa a aquecer meu coração... E eu que sempre fui tão inconstante, te juro, bicho, me rendi àquela paixão...
E não adianta nem tentar esquecer, o que durante muito tempo em minha vida passou a viver... Eu me lembro com detalhes, a velha calça desbotada, a jaqueta encouraçada e a brilhantina no cabelo. Meu mundo girava no vinil da vitrola, vivia voando no meu carro, à 120 por hora, a velocidade andava junto a mim, e sem saber quando, nem pra onde, me levava ao espaço, como “Sputnik” pelo ar.
Nas curvas e esquinas da vida, encontrei amigos, parceiros da mesma viagem, e seguimos juntos a mesma estrada, como bons companheiros, amigos de fé, irmãos camaradas, que eu não esqueço jamais. Aquele era o meu momento, nascia um novo tempo, agitando o mundo ao som do Iê Iê Iê, e com ele, um movimento: a Jovem Guarda, que assim, como do nada, me coroou o seu rei.
E eu então, me perguntava:
-Que rei sou eu?
Que rei que nada;.. Eu sou terrível! Um lobo mau, um negro gato de arrepiar, talvez um gênio... Nem pensar! Basta ver os erros do meu português ruim...
Avancei sinais, vivi em festas de arromba e, pra conquistar garotas, dispensei meu cadilac, me rendi a um calhambeque, fui o bom no Splish Splash dos beijos roubados no cinema, de garotas papo firme, namoradinhas dos amigos e dos brotos no portão... Foi quando me lembrei do passado, do romântico apaixonado que eu era, do meu velho violão, e da simplicidade de dizer ‘Eu Te Amo’ com a voz do coração.
Assim então, assumi meu reinado e proclamei, como um brado a esquecer a tristeza e ter a certeza de que a felicidade um dia vem, que daqui pra frente, tudo vai ser diferente, e que eu quero que vá tudo... Tudo pra quem ama com ternura, tudo, pra tudo que se quer bem.
Eh!... Esse mundo dá voltas... E, numa delas, lá ia eu e meu sonho viver, era uma força estranha, uma voz tamanha que me levava a cantar, a atravessar fronteiras, a romper barreiras, ‘parlando’ italiano a ‘Canzone Per Te’; e foi assim, de mansinho, que San Remo todinho, viu e ouviu o amor vencer.
Senti então, que esse amor fala uma só linguagem, e faz o sonho acontecer... E assim contei histórias de romances, de amadas e amantes, o amor infinito, puro, sem medida, incontido; sentimento sem dia, sem hora ou lugar pra nascer, o que não sai de moda, é moderno, mesmo que seja à moda antiga, é eterno, um constante amanhecer.
E assim afaguei em meus versos, mil mulheres, enxergando a beleza de todas as formas e proporções, foram tantas, foram todas, tantas rimas, em tantas canções.
Desvendei caminhos, procurei atalhos, como a abelha necessita de uma flor e na sede de amor, bebi das paixões desenfreadas, por metáforas descrevi o côncavo e convexo, o sexo como cavalgada. Me vi em desalinho, a fazer ninho nos lençóis macios, a deixar marcas sem me importar com a desordem de tanto amar, entre os botões que se desatam e se abrem em braços que se abraçam e se enlaçam no céu do êxtase, mudando estrelas de lugar.
E então, desse infinito universo de prazer, me abastecendo de brasilidade, viajei na verdade da vida do meu povo, de cada palmo desse chão; no dia-a-dia da cidade, na lida pra ganhar o pão.
Fiz da canção a passageira no táxi das nossas ruas; no campo foi ela a companheira, tangendo em moda de viola, nas veredas desse sertão, e fui presente na saudade que roda e rola no coração disparado, no pára-choque estampado, todo dia nessa estrada, a contar horas de ansiedade na boleia de um caminhão.
Fiz da minha voz, um grito de alerta à consciência dos seres humanos a zelar pela natureza, e usei a poesia em defesa do céu, da Terra e do mar; fiz chegar àqueles que estão surdos, a mensagem, que o progresso, às vezes absurdo, tantos males nos traz, e que é preciso saber viver, que a razão precisa entender enquanto há tempo e passar a seguir o exemplo: ser civilizado como os animais.
É meu irmão, nessa vida são idas e vindas que me levam na brisa do vento, no fluxo das marés em movimento, a algum lugar bonito e tranqüilo pra gente se amar, pois de que vale o paraíso sem amor?... E continua a viagem e mergulho livre num oceano de desejos, a singrar ondas de emoções, a flutuar num mar de rosas, como navegante dos sentimentos, comandante de tantos corações.
E por fim, essa fé que me faz otimista demais, me fez subir a montanha, a dispor do alto, minha voz à voz de Deus, a fazer do meu cantar, uma oração para a humanidade, a descobrir no verbo, a sua essência e sua verdade, a tornar-me um instrumento mensageiro de paz e de boa vontade.
Não, eu não sou rei... Mas acho que me tornei amigo do Rei, o Rei dos reis, esse ser de luz, a claridade que faz com a sua simplicidade, a força que me conduz.
São tantas emoções já vividas, detalhes de uma vida, histórias que eu contei aqui. E se hoje você me faz seu enredo, é talvez, a maior das emoções dessa minha vida, a qual, com palavras, não sei dizer, mas quero sim, abrir meus braços num abraço e em suas asas, Beija-Flor, me entregar e agradecer, e assim poder definir com singeleza, como é grande o meu amor por você!
E se não há nada pra comparar, deixa o seu samba explicar, esse puro sentimento, que só o coração pode falar. Agora eu sei o que é ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar...
Canta Beija-Flor! Pois seu canto acenderá ainda mais essa chama, essa aura azul e branca que te encanta, que te dá força, fé e esperança, que ilumina o sorriso de suas crianças, anjos de guarda da sua herança, essa luz que cobre como um manto essas “nossas senhoras”, Marias, mães baianas do samba.
Que os céus as abençoem, e que derramem por todo o seu povo essa luz que do amor emana e inflama o mundo através da nação nilopolitana, uma luz divina e que assim se traduz:
Uma luz que nos une e se funde numa só luz, que nos traz a simplicidade e a paz do verdadeiro Rei, a paz do Nosso Rei Jesus.