segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu não estava só

A Solidão do palco

A vida inteira me acostumei a ter ao lado , no mínimo, uma pequena banda, um simples cantor, um quarteto vocal, uma grande orquestra , um grande coral . Ultimamente, volta e meia me encontro só no palco, muitas vezes em teatros municipais , na maioria suntuosos, opulentos e intimidadores. Como é assustador fazer show solo num teatro municipal. Que vontade louca de ter pelo menos um músico ao meu lado...quem sabe toda a platéia no palco comigo.
Ontem , me sentia nervoso com nunca, tocando no mesmo piano em que toquei há 57 anos atrás. Eu olhava pra ele ...parecia envelhecido...ou seria eu?...de repente tive a idéia de tocar uma valsa de Chopin, quem sabe ficaríamos mais íntimos, quem sabe nos tornaríamos cúmplices...toquei a música tentando explicar a platéia como foi a minha transição da musica clássica para a popular emendando com uma dos Beatles. Ao final da musica escutei uma voz de anjo que vinha lá de cima, do ultimo balcão superior do teatro : VOVÔ!!!!!....e eu sem saber quem era exatamente, perguntei em meio aqueles aplausos carinhosos : “Quem é?” ela respondeu: “Sou eu, Maria Fernanda” ...a minha neta mais nova, 3 anos.
Aí , vi que alem daquele “velho” piano que hesitava em me reconhecer, estavam presentes Deus, minha família , meus amigos e os que me seguem profissionalmente, Tudo ficou mais fácil. Eu não estava só.

Eduardo