sábado, 4 de outubro de 2008

A finalização de um CD

Diz-se, entre artistas e produtores , que a gravação de um disco, seja CD,LP ou DVD,nunca termina. Diz-se tambem que o que acontece é um abandono do trabalho em razão de custos e principalmente prazos que são impostos pelas gravadoras. Há casos, alguns até bem próximos, que após um ou dois meses, apesar do disco ter sido um êxito no lançamento tendo vendido milhões de cópias, o artista segue junto ao seu produtor ou tecnico de som no que se poderia chamar de finalização do disco para que ele, o artista, chegasse a um nível razoável de contentamento, podendo isso, em alguns casos extremos levar anos ou até mesmo nunca se chegar a uma satisfação plena com o trabalho. Eu , claro, não posso me dar a esse luxo, caso contrário, estaria hoje tentando resolver probleminhas no "Emoções" gravado em 2005.
O que fazer então no caso do artista ou produtor?
No meu caso, procuro analisar primeiro o trabalho como um "todo". Antes até de completar a mixagem , ouço o CD várias vêzes, mudo a ordem das musicas, muitas vêzes prevalece a primeira ordem. Nem mesmo grandes estrelas americanas se livraram de enganos em seus discos e nem por isso deixaram de alcançar o êxito dos mesmos. Lembro que há alguns anos atrás, quando me sobrava mais tempo, um grande divertimento meu era ouvir (com fones) discos famosos e descobrir ruídos tais como, espirros, cadeiras de estudio rangendo, pequenas distorções, emendas de voz....notas erradas então era uma fartura. Alguns desses discos , chegaram a marcas de 10, 20 ou trinta milhões de cópias. Eram verdadeiras obras primas.
Me chamou muito a atenção o comentário do atento Marlos, amigo e competente produtor como eu já havia dito antes, relativo a afinação ou equalização das peles dos ton tons na musica "Voce em minha vida". Isso me motivou a fazer essa postagem.
Não, Marlos, voce não está errado, eu tenho a obrigação de estar atento a todos os detalhes do trabalho como artista, arranjador e produtor do mesmo.
Mas uma coisa que sempre procurei, desde o inicio da carreira, é evitar o que muitos profissionais desse país fazem; se preocupar com o que o colega, seja maestro arranjador ou produtor vai achar do seu trabalho. Na minha opinião, quando se cria um trabalho artístico, o objetivo principal é emocionar a aquele que apreciará a obra e se a mesma for comercializada como é o caso dos meus CDS, o trabalho se torna ainda mais difícil pois voce tem a responsabilidade de emocionar o apreciador e levá-lo à loja. Junte-se a tudo isso , o fato da obra ter um formato instrumental, desfigurada na sua essência, onde a letra representa a metade do poder de emocionar, ainda mais na obra do Roberto e Erasmo onde é sabido que a letra tem um grande peso na qualidade da obra.
Voce, Marlos, pelo seus comentários, nota muito bem quando passo do grave ao agudo do piano ,muitas vêzes, tentando dar uma emoção que aquele trecho da letra dava, além das modulações que são feitas para chamar a atenção de determinados trechos que certamente seriam os conclusivos da história da letra ou da melodia.
Talvez esteja aí, o motivo do razoável sucesso de vendas obtido pelos meus CDS onde são proibidos as "notarréias" como voce bem diz e onde o piano, como artista principal, como se fosse um cantor do disco, tenta, com simplicidade,sem grandes pretensões performáticas, atingir a emoção das pessoas. Voce sabe muito bem com quem aprendí isso...
Quanto à musica "E por isso eu estou aqui" acho que atingí bem o meu objetivo pois a intenção é mesmo a de um "súdito" no "reino" tocando "E por isso estou aqui".
Claro que voce vai encontrar influências minhas dos Beatles e muitos outros, por isso, voce dá prova não só de conhecimentos musicais nos seus comentários mas de ser
possuidor do talvez mais importante dom pra se ter sucesso na carreira de produtor, a INTUIÇÃO.
Abraço
Eduardo Lages