terça-feira, 1 de abril de 2008

Crescendo profissionalmente...

Estou aprendendo a fazer melhores arranjos refletindo sobre os comentários inteligentes postados aqui no blog, aliás, essa era a minha intenção quando resolví montar isso sem muita sofisticação. Conhecer opiniões isentas(apesar de educadas)de pessoas, na maioria delas desconhecidas, sobre o meu trabalho é gratificante. Nós arranjadores, quase sempre fomos coadjuvantes na música, expostos muitas vêzes às exigências dos protagonistas, aqueles que realmente aparecem para a mídia, muitas vêzes nos tornamos "mágicos" ou "apostadores" na ansia de adivinhar as expectativas dos intérpretes os quais, em sua maioria, inexperientes no trato com uma orquestra. Foi issso, por exemplo, que me levou a trabalhar com o Roberto Carlos, um cantor que além do seu conhecido talento na forma de cantar e compor, é dono de uma intuição extrordinária e uma grande inteligência que lhe permite estabelecer os seu limites como músico, ou seja, exige que suas expectativas sejam correspondidas mas aceita um algo mais que o profissional pode lhe dar contanto que êsse "algo mais" acrescente alguma coisa ao grande ingrediente de sua música, a emoção.
Quantas vêzes fiz arranjos para cantores de músicas que nem ao menos tinham uma sinopse de letra ...quantas vêzes gravei arranjos(isso ocorre muito)pra cantores que nem estavam no estúdio e muitos deles nem cheguei a conhecer pessoalmente...
Um assunto que pretendo esclarecer aqui é uma coisa que a maioria das pessoas não sabe e tem vergonha de perguntar; o que é um arranjo? ...pra que serve uma maestro? ...pra que serve uma batuta?...Muitos amigos próximos meus não sabem.
Bem, para aqueles que citam a musica "Costumes " como uma música perfeita, quero lhes dizer que penso em gravá-la no próximo CD se os autores RC e Erasmo autorizarem.
Muito bom esse papo de música perfeita...
Breve quero falar de "arranjo perfeito" ...disso eu entendo apesar de não ter feito nenhum ainda mas acho que depois de ler tão bons comentários como os que voces fazem aqui, estou perto disso

Abração a todos
Eduardo Lages

12 comentários:

Anônimo disse...

deculpe maestro do meu coração....não sei falar do lado tecnico da musica...e nem dos arranjos.....pois so sei falar das musicas que tocam meu coração......desculpe se falei bestiras...sobre musica boa ...pois eu não sei separar musica boa de boa musica...pois para mim elas se fundem na verdade....mas quem sou eu para julga-las...pois so julgo tudo com emoção....e portyanto não teria de dar opinião...mais como gosto de externar o que sinto.......tive a coragem de falar bobagens ...não er maestro....mas sua fã e movida a emoção e coração.....por isso acho que quando gosto da musica não importa que ela seja boa musica ou musica boa!!!!!!!!!!adoro meu maestro tão sensivel como todo maestro.......

Vinícius disse...

Grande notícia, Eduardo! Desde menino, quando me acostumei a ver os especiais do RC e gostava de "comparar" os arranjos das gravações do Roberto com os arranjos que eu escutava quando ele cantava ao vivo, sempre tive muita curiosidade de ter "novas leituras" de canções de autoria dele.

"Costumes" é uma canção que conheci primeiro com Maria Bethânia, e só depois a gravação do RC, e sempre quis que ele recolocasse no repertório. Acho que agora vou ter um pouco da curiosidade musical saciada...

Ah, falar em curiosidade, tem uma em especial que me vem com relação a arranjo. Os movimentos feitos com a mão (com ou sem a batuta) têm quais funções na execução da música? Por exemplo, existe algum movimento que faz com que os músicos dos instrumentos de sopro façam determinada seqüência musical, ou que em determinada hora venha o pianista dedilhar de uma forma? E essa maneira como acontece é, digamos, "padronizada" entre os maestros?

Bom, são perguntas demais. Mas a curiosidade sempre é muita...

Abraços do curioso,
Vinícius Faustini

Cris disse...

Caro Maestro,

também não possuo conhecimento técnico para falar o que é um "arranjo", mas falando apenas com o coração, penso que um bom arranjo musical é aquele que "encaixa" bem com a letra, realçando as emoções que ela traz. Algumas músicas ficam mais belas com determinados arranjos. Creio que é necessário ter muita sensibilidade para fazer bons arranjos. Isso vc tem de sobra, querido Maestro. Seus arranjos são sutis e ao mesmo tempo fortes. Incríveis! Vc é demais!
Eu entendo quando vc diz q nunca fez um arranjo perfeito, porque aquele que cria está sempre em busca de fazer algo melhor ainda... Mas, para nós, seus fãs, vc já fez arranjos fantásticos! Que seu caminho seja sempre repleto de muita inspiração, criatividade e sensibilidade, para que vc sempre se supere, a cada dia mais... Este é o objetivo de todos os que fazem música, teatro, literatura, enfim...arte.

Um grande abraço,

Cris

Armindo Portuleiro disse...

Muitas vezes esquecemos que há obras pelas quais apenas são conhecidos um ou dois intervenientes, quando na realidade muitas das vezes aqueles que mais contribuíram com a sua arte para o resultado final da mesma, são remetidos para segundo plano, senão mesmo ignorados. Isso passa-se não só no mundo da música, mas também no mundo do cinema, do teatro, etc.

Diz o Eduardo que a maioria das pessoas não sabe e tem vergonha de perguntar o que é um arranjo, pra que serve um maestro, pra que serve uma batuta. Eu próprio já me interroguei sobre essas questões e só não interpelei o Mestre Maestro no sentido de fazer o favor de mas dissipar, não por vergonha mas apenas pelo facto de não querer fugir aos temas e principalmente por não querer abusar da sua bondade com perguntas do foro técnicoprofissional normalmente de âmbito restrito. Vejo agora que me enganei e que só se confirma o que todos sabemos, ou seja, que o Eduardo Lages é mesmo um caso excepcional a que ninguém está habituado.

Abraços

Everaldo Farias disse...

Eduardo,

Regravar Costumes é uma grata surpresa, sem dúvida! Um dos clássicos mais lindos do Roberto! E já imagino o arranjo que você fará pra essa música, tipo o que você fez com Macarthur Park em que o arranjo de repente cresce com o desenrolar da música! Você é um mestre mesmo!

Essa discussão da importância do maestro é muito pertinente, sobretudo porque quase ninguém entende completamente a função do principal virtuoso da orquestra, e acaba por nos esclarecer ainda mais!

Uma coisa legal a esclarecer, além das perguntas do meu amigo Vinícius é a seguinte:

Quando o compositor te entrega uma canção, geralmente ela já vem melodia e acordes, mas você, em seu ofício, pode incrementar os acordes? Explico, por exemplo, eu te entrego uma canção em fá que tem vários acordes em fá (acordes naturais), mas você pode, de repente, melhorar essa harmonia pondo fá com sétima com nona bemol? Ou para fazer isso, precisa do consenso do compositor?

Blog Música do Brasil
www.everaldofarias.blogspot.com

Um forte abraço!

Pilatti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pilatti disse...

"Lafayette devia ter seu nome incluso ao aldo de Roberto e Erasmo como compositor de mais da metade das canções da dupla entre 1965 e 67"... já ouvi isso, ou li, em algum lugar. Embroa eu ache que houve certo exagero, não posso, por outro lado, deixar de reconhecer que Lafayette foi fundamental em alguns clássicos, principalmente o maior deles, "Quero que vá tudo p'ro inferno".

Outra vez, também, li que o Jimmy Wisner teve a idéia de colocar os violinos em "Detalhes", porque de alguma forma isso "contribuía para que a canção não ficasse igual, repetitiva, o tempo todo"...

Falo isso só p'ra dizer que, por exemplo, Eduardo foi FUNDAMENTAL em cavalgada, como todo mundo sabe, e também em "Eu Te Amo tanto"... a música, embora seja de total responsabilidade de RC, não teria o mesmo brilho sem sua roupagem. Ela é linda por todo o seu contexto, e pelo canto do Bob. Mas foi o Eduardo que fê-la se tornar "ainda mais..." (naquele disco de 1998).

Citei 4 das principais canções de Roberto, e em todas elas vejo que o arranjo foi-lhes fundamental. Nisso que eu vejo a importância de um maestro.

É por aí? Se puder, fale sobre isso, maestro!

Abração!

PS: "Costumes" seria um achado em seu disco.

Pilatti disse...

Eduardo,

Desculpe: o arrajo da "Eu Te Amo tanto", no cd de 98, é seu mesmo? Não sei se viajei agora...

Vinícius disse...

Marcel, é sim, bicho. Arranjo e regência do Eduardo.

Abraços!

Pilatti disse...

Valeu, Vina. Achei que de repente fosse do Roberto mesmo...

Mas lanço outros exemplos da importância dos arranjos: O que teria sido de "Nossa Senhora" sem o arranjo do Tutuca?

É fundamental! A música não teria nem um quinto da beleza que tem, e é muita - mesmo não sendo católico, reconheço isso..

E querem exemplo melhor que esse? O que seria dos Beatles sem George Martin?...

abraços

Cynthia Coimbra disse...

Querido Maestro,não sou técnica no assunto mas gostaria de saber se estou correta no pouco conhecimento que tenho.O papel do maestro, é dar uniformidade a varios instrumentos ou vozes para que todas sigam o tempo e o andamento de uma partitura.O arranjo seria a adaptação de uma composição (que foi feita pelo autor, por exemplo somente com um violão)a vozes e/ou a instrumentos.E a batuta foi criada por um alemão ou inglês(não lembro)para marcar o andamento em substituição as batidas que eram dadas no chão e que muitas vezes atrapalhavam o andamento da música.
Peço desculpas se escrevi besteira, porém aprendi que a única forma de acertar é não ter medo de errar.
Beijo.

Anônimo disse...

Cynthia, voce está certa.
Quanto a batuta, o regente a usa como um prolongamento da própria mão tornando os movimentos mas precisos.
Eduardo